Vem conhecer Medicina

curso de medicina

A todos os candidatos ao ensino superior chegou o testemunho desta semana da rubrica “Vem conhecer” que conta com as palavras e trajetória, desta vez, de uma estudante da Universidade do Porto.

Olá! O meu nome é Eduarda e terminei recentemente o quinto ano do Mestrado Integrado em Medicina. Honestamente, sempre tive a ideia de ir para medicina. Nunca fui muito fã de séries médicas, mas quando era mais nova adorava aquelas séries de polícias e ao ver os examinadores médicos que lá apareciam, que só com duas olhadelas conseguiam determinar como tinha ocorrido o crime, pensava que queria ser como eles.

Ao longo dos anos foram-me vindo outras opções de cursos à cabeça, como psicologia, criminologia, ou até mesmo física, mas medicina ficou sempre lá. Na altura de me candidatar à faculdade, preenchi todas as seis opções com algumas das várias faculdades de medicina do país, tendo acabado por entrar na minha primeira opção, no ICBAS.

Pelo que fui aprendendo com os meus colegas de várias faculdades, o curso acaba por ser um pouco diferente em cada escola médica, por isso apenas posso falar um pouco da minha experiência. Se o curso é como eu estava à espera? Nem por isso. Se me arrependo da minha escolha? Nem por sombras.

Se estás a pensar em candidatar-te a medicina, já deves ter aquela ideia de que este é um curso para o qual se tem que estudar bastante. Não te vou enganar e dizer que não. Este é realmente um curso para o qual se tem que despender imenso tempo a estudar, mas também não é preciso passar noitadas a marrar, como alguns fazem entender. Isso só te leva a estares um passo mais próximo do burnout. Honestamente, a única vez que tentei fazer uma noitada a estudar foi para um exame de Fisiologia, e só aguentei até às 2h da manhã.

O truque para ser bom estudante de medicina é saber como estudar, e começar cedo no semestre para não acumular matéria, mas também saber quando descansar e quando dizer “ó pá, hoje já não dá para mais” e ir sair com os amigos para espairecer.

Algo que também é importante neste curso é a empatia. Não estava preparada para o impacto emocional que é falar com doentes, por vezes. Ao longo das várias especialidades vais encontrando, em algumas mais, noutras menos, doentes no seu estado mais frágil e tens que ter isso sempre em consideração enquanto conversas com eles. Outros, às vezes, só querem ter alguém com quem falar, e o que deveria ser uma colheita de história de 15 minutos, arrasta-se por mais 40 e acabas por saber tudo da vida dessa pessoa, e se calhar de muitas outras.

De certeza que em alguma altura do curso te irá aparecer esta frase de William Osler, Listen to your patient, he is telling you the diagnosis.”, e é basicamente isto a que tudo se resume. É importante saber ouvir e saber esperar.

Um conselho que dou aos caloiros é, por favor, não gastem centenas de euros em manuais! Vão vos dizer para comprarem o Gray ‘s, o Netter, o Guyton e mais uns quantos. Tenho a dizer que eu segui esses conselhos, usei-os duas ou três vezes nos meus primeiros anos e agora eles servem basicamente como decoração de estante. Se quiserem mesmo e até acharem que estudam melhor com livros físicos, em vez de no computador, não digo que não, mas muitas das vezes os vossos colegas mais velhos até vos conseguem arranjar o livro em pdf ou vender as cópias deles por um preço muito mais baixo.

Com isso, sigo com o conselho de não terem medo de pedir ajuda aos vossos colegas. Podem não acreditar, mas de facto quase todos os estudantes na minha faculdade se unem para reunir perguntas de exames, apresentações feitas por professores de várias turmas e por alunos de anos anteriores, e até apontamentos feitos pelos próprios, tudo para que toda a gente tenha as mesmas possibilidades de estudar e tirar as melhores notas possíveis.

Vocês nunca irão estar sozinhos durante o curso.

Por fim, quero dizer que, como todos os cursos, medicina é uma experiência. Vão definitivamente haver altos e baixos, especialidades que irão gostar mais e outras menos, mas no fim de tudo, vão ver que compensa.

Publicado por Tânia

Licenciada em Sociologia e estudante de mestrado em Jornalismo. Apaixonada por tudo o que implique o mundo e livros.

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