Pensamentos do Normal

Maio chegou e está a ser mais complicado do que imaginava lidar com tudo o que há para fazer e com todos os pensamentos que surgem. Mas é incrível compreender como tudo trabalha a mil e, por vezes, necessitamos apenas de despejar tudo em algum lugar para nos libertar-mos.

As coisas parecem encontrar-se a acalmar pouco a pouco, mas até quando? Os dias continuam a ser um blurr autêntico sem conseguir compreender como passam ou o que fazer para mudar as coisas.

O que considerávamos como normal, que começamos a entender como estava muito longe disso não voltará, mas uma próxima normalidade também parece distante do nosso hoje. Gostava de manter um pensamento positivo, mas a verdade é que a este ponto eu não sei mais. Os dias tornaram-se totalmente focados na faculdade e em largar material de uma cadeira para focar em trabalhos de outra durante quase 24 horas. A vida limita-se agora ao computador não só para diversão, mas por ser para muitos a única forma de trabalhar. A vida gira tanto à sua volta que, por vezes, não tenho qualquer vontade de o ver à frente.

Imaginei que quando o Estado de Emergência levantasse eu teria agarrado e começado a fazer o que prometi a mim mesma durante o mesmo. Ir à praia, ver a minha madrinha, dar um beijo à minha avô e visitar a minha bisavô pela primeira vez este ano, mas a realidade não podia estar mais longe. Continuo a limitar-me ao meu apartamento, preocupada com o facto de ter de sair para realizar exames no próximo mês e com muito receio de que as minhas visitas aos meus entes queridos possam acabar por fazer mais mal que bem.

Os planos de tudo o que queria fazer após a quarentena continuam de pé como a praia, as visitas, os planos para acampar ou mesmo os jogos de tabuleiro que quero jogar quando poder reunir novamente o meu grupo de amigas, mas a minha realidade continua vincada pelo receio de sair de casa, visto que temos de cuidar não só de nós, como dos os que no rodeiam.

Quero pensar que melhores dias estão a chegar, mas não sou a maior fã de incertezas. Fazem-me sentir insegura e incapaz como alguém que necessita de sentir-se em controlo da sua vida, mas será isso possível no futuro? O que é que realmente poderemos considerar como normal daqui para à frente?

Publicado por Tânia

Licenciada em Sociologia e estudante de mestrado em Jornalismo. Apaixonada por tudo o que implique o mundo e livros.

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