Rotina de quarentena

É sufocante olhar para a internet e ver pessoas a serem produtivos sem parar. Mas será isto uma realidade? Se há algo que dizem é “não aceites tudo o que vês na internet como verdadeiro”, e sim as pessoas são bastante produtivas, ainda mais agora, mas também não nos podemos esquecer que grande parte só mostra as coisas boas. Somos seres de hábitos, de ritmo, mas não somos máquinas. Todos nós vamos ter dias em que conseguimos riscar tudo o que tínhamos da nossa lista de tarefas e também dias em que a vontade de sair da cama para fazer até a mínima coisa é zero.

Foi com isto em mente que eu decidi partilhar um pouco do que é a minha rotina, pois acredito que necessitamos de relatos verdadeiros.

Após mais 30 dias de quarentena, a primeira conclusão a que eu chego e por onde pretendo começar é que rotinas são praticamente impossíveis de se manter. Estou no meu período de férias da faculdade e se há semanas atrás a minha rotina já estava virada de pernas para o ar agora isto não se parece com nada. O primeiro passo para não stressar é aceitar isto mesmo. Aceitar que no momento em que vivemos hoje é difícil criar rotinas, porque se em tempos normais muita gente já tem dificuldades em desenvolver uma porque havemos de nos cobrar tanto agora?

De todo o tempo passado em casa saí 5 vezes à rua, e se foram tantas, todas elas para tratar de necessidades básicas. Aqui por casa sou a única em quarentena, o que não me traz segurança nenhuma já que os meus pais necessitam de trabalhar todos os dias da semana. E apesar da casa ser grande, digamos que há dias em que eu desejava um quintal porque viver em apartamento e não poder sair à rua está a dar comigo em doida.

Agora vem a parte divertida, contar-vos o quão estranha é a minha rotina. Para me manter minimamente organizada e a par com as minhas tarefas eu vivo com o meu bullet journal do meu lado. É lá que aponto todas as tarefas, ideias e passos de grandes trabalhos que tenha de realizar, é assim através dele que eu sei a quantas ando. Tenho dois horários e dois espaços de trabalho. O primeiro horário é o de férias, o do momento, e implica só começar a trabalhar seja no que for a partir das 14h.

As razões para isso passam por:

  • Só acordar depois do 12h ou 13h da tarde.
  • Aproveitar quando me levanto mais cedo para tratar de apenas tarefas domésticas.
  • Ter ficado na cama sem fazer nenhum até à hora de almoço porque era um dia não.

O meu outro horário está dependente do meu horário escolar, horário esse que é a coisa mais irregular de sempre. Tenho dias com aulas às 9h30 e dias com aulas às 14h30, dependendo do dia acordo entre 30 minutos a 3h antes. E com isto vemos que só há margem para ser produtiva ao começo da tarde ou mesmo ao final da mesma. No meu caso, não é algo que me afete muito visto que tenho perfeita noção que o meu pico de produtividade está entre essas horas. Quando mencionei os meus dois locais de trabalho, eu divido-me entre a secretária do quarto e a secretária do meu pai no escritório que uso para os momentos de aulas, visto que a internet é cheia de falhas. Seja que lugar for que eu esteja usando, os meus pais e eu temos como regra que se eu tiver a porta da divisória fechada significa que não posso ser incomodada, caso esteja aberta é porque o que estou a fazer não é de prioridade máxima ou possui um horário mais flexível.

Como puderam reparar pelo que eu disse acima, o meu horário de sono não é dos mais normais. Primeiro, porque naturalmente eu gosto de dormir. Segundo, porque nos dias em que eu não faço nada de trabalho para a escola ou blog eu tenho tendência a acumular energia e só conseguir adormecer quase às 4h da manhã. Saudável? Nem por isso, mas é com o que trabalhamos. Outra coisa que eu tento mudar com muito esforço e, por vezes, não resulta é o meu uniforme de trabalho. Desde que a quarentena começou ao contrário de muitas pessoas que dizem que fizeram das suas roupas de desporto o seu uniforme, eu fiz do pijama o meu. Só uso roupa de sair quando o vou mesmo fazer ou quando tenho reuniões e aulas acabo por colocar uma camisola de sair para não aparecer de pijama na câmara.

Assim sendo os meus dias resumem-se a:

  • 3h de aulas diárias obrigatórias.
  • 30 minutos de limpeza da casa realizada de manhã ou dividida entre os intervalos do meu dia.
  • estudar para as cadeiras estipuladas, pelo horário de estudo que criei, permitindo-me avançar com trabalhos e manter os apontamentos em dia.
  • trabalhar em algum dos meus hobbies, seja na aprendizagem de italiano ou no blog.
  • passar o início da noite com os meus pais para jantar e estarmos um pouco juntos em família.
  • cuidar do Buggy.
  • deitar-me na cama para fazer maratona de dramas, séries ou vídeos do youtube que ainda não vi.
  • mas acima de tudo fazer nenhum deitada na cama a ver tudo o que me apareça à frente ou a jogar!

Estar em casa presos 24h por dia pode dar connosco em doidos, mas algo que todos necessitamos compreender é que obrigar-nos a produzir trabalho ao extremo não vai tornar estes dias mais felizes ou mais fáceis. Todos temos o nosso ritmo e os nossos dias, não nos devemos cobrar demais.

Publicado por Tânia

Licenciada em Sociologia e estudante de mestrado em Jornalismo. Apaixonada por tudo o que implique o mundo e livros.

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